UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Freud como Teórico da Modernidade Bloqueada.
MÓDULO III: Atividade: final: Resenha de Vídeo Aula.
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves
SAFATLE,Vladimir. Freud, Hobbes e o destino do corpo político. IV FÓRUM BRASILEIRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS POLÍTICAS, 2015. Rio de janeiro. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=VZllFKMCHMw>. Acesso em 09.12.2017.
Autor: Jacques
Antonio Contarini Pereira
O vídeo mostra a palestra proferida pelo professor Vladimir Safatle,
que é professor da faculdade de filosofia da USP, que tem como base a tese
defendida no livro que ele lançará com o título “circuitos dos afetos”. Nesse livro, ele relata um discurso sobre a
teoria dos afetos, da filosofia política e como é possível a partir de uma
reflexão sobre as dinâmicas dos afetos políticos pensar processos de
transformação. Na palestra, o professor fala da relação entre Freud e Hobbes e
da teoria dos afetos que está fundamentada nos textos de Freud e Hobbes. Esses
estão ligados a sistemas de crenças e fantasias, onde estão associados a vida
individual do sujeito.
Freud defende a teoria dos afetos, pois ele acredita nessa
perspectiva. Ele privilegia os vínculos de autoridade e de poder, e acredita
ainda que as referências políticas do
sujeito estão sempre ligadas ao esquema de poder. O palestrante faz referência
em sua fala a Michel Foucault e a teoria do poder disciplinar. Ele cita “não há
poder sem incorporação, sem encarnação” (Safatle, 2015), esse sempre está
ligado a autoridade, classe, estado, etc. Esse poder só é rompido se houver uma
quebra dos afetos que esse poder tem sobre o sujeito, ou seja o desamparo.
Hobbes fala
do poder que os homens exercem uns sobre os outros, uma eterna guerra, onde
todos buscam um lugar de destaque, mas esses querem um governo, pois assim
perdem o medo de lutar uns contra os outros. O governo faz com que o sujeito
vença o medo e se sinta seguro, pois a única coisa que faz os homens se
respeitarem é o medo, e com isso o esfriamento das paixões políticas. O sujeito
busca no Estado a proteção e o amparo, e encontra nele essa segurança por meio
do medo, pois este através de sua autoridade de coerção se impõe. Dessa forma,
a autoridade mantém o poder e o controle de toda a sociedade.
Safatle (2015) fala que “uma política emancipadora em Freud é quase
impossível”. Para Freud, o desamparo é o medo, uma forma de angústia de algo
encontrado, o desabamento. Afirma ainda que não há política sem identificação
com a ideia simbólica do outro, que desestabiliza qualquer vínculo social com o
outro.
Freud herda as seguintes visões de mundo: animista, religioso e cientifico.
Em seu pensamento, o mundo hoje ainda é marcado pela visão religiosa, essa
aparece de uma forma fantasmática, e está presente na nossa vivencia social.
Na palestra cita Freud, a busca por um líder está fundamentada na sua
tese baseada no mito do “pai primevo” texto “totem tabu”. O mito relata o poder
do líder mais forte que domina os mais fracos para evitar a promiscuidade, e
este é morto pelos filhos para ocupar o seu lugar, mas não conseguem viver em
comunhão sem um líder e passam a lutar uns contra os outros. Então, logo percebem que precisariam colocar
regras para viver. Dessa forma, entendem a necessidade do “pai primevo”, ao não
conseguirem extinguir a figura do “pai primevo”, ele acabou sendo reforçado
pela sua ausência e pela falta de um líder, de uma autoridade. O lugar vazio do
“pai primevo” é o lugar da democracia representada pela força de poder fantasmagórico.
A figura do “pai primevo” é reproduzida em vários tiranos que povoam o nosso
mundo. Safatle (2015) cita “o homem Moises e a religião monoteísta”, que Moisés
não era judeu, mas sim um egípcio, um líder estrangeiro que introduziu entre
seu povo sua religião. Esse líder leva o seu povo ao erro durante a sua
caminhada de movimento. Assim no pensamento de Freud todo assassinato sempre
remete ao mito do “pai primevo”, que não é diferente em Moisés.
Recomendo esse vídeo a todos os professores e alunos dos cursos de
história e pedagogia do pólo Castelo-
ES, pois conhecer o mito de “pai primevo” relatado por Freud, a teoria dos afetos e o pensamento de Hobbes
é alargar os conhecimento no campo da política e da vivência da democracia. E
assim entender o comportamento dos nossos lideres políticos nas esferas
municipais, estaduais e federais.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SAFATLE,Vladimir. Freud, Hobbes e o destino do corpo
político. IV FÓRUM BRASILEIRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS POLÍTICAS, 2015.
Rio de janeiro. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=VZllFKMCHMw>.
Acesso em 09.12.2017.