terça-feira, 24 de abril de 2018

FICHAMENTO TEXTO TOTEM E TABU





UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Epistemologia da Psicanálise
Módulo III: Atividade 12: Fichamento
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves

Fichamento: do texto de Freud módulo I “Totem e Tabu”
Pág. 09 a 19.

1 – “[...] no texto Totem e Tabu (1913) — o mito da horda primeva, tomado a Darwin, que parte de observações antropológicas relatadas por Atkinson e localizadas na Austrália. A posição freudiana em relação ao evolucionismo aí contido é atópica em relação ao relato etnológico, oferecendo uma versão psicanalítica da noção de pai da horda e da consequente constituição social”. (p. 9).
- Freud usa a teoria de Darwin dos homens primitivos para falar do mito do pai primevo. Onde Darwin fala dos homens primitivos que viviam em hordas, e que o macho mais velho e forte dominava os mais fracos e com isso evitava a promiscuidade sexual.
2 – “[...] Freud em Totem e Tabu (1913) não têm uma carga moral original, mas se tornam morais a partir de suas observações. O medo e a proibição do incesto, nas sociedades primitivas, por exemplo, visavam afirmar a isogamia. Essas restrições impostas aos membros da sociedade primitiva são originadas no totem, este objeto ou animal investido de poderes, que desperta medo e respeito e sobre o qual se projeta todo o narcisismo próprio ao ambiente anímico.” (p. 13).
- No mito do pai primevo, Freud expressa como o pai da horda primitiva mantinha todas as mulheres da tribo para ele e proibia aos demais. Esse expulsava os filhos quando chegavam à idade adulta para não ameaçar o seu domínio.
3 – “Ao totem, os primitivos dirigem uma direção afetiva, enquanto o tabu tem o papel de receber a agressividade dirigida à figura dos inimigos, dos chefes e dos mortos, figuras onipotentes, correlatas aos demônios. No primitivo localizamos a ambivalência de sentimentos: amor e ódio. A atuação psíquica desses sentimentos compara-se à da neurose na busca de satisfação pulsional, quando o elemento individual e social se recobrem.” ( p. 13).
-Freud entende que os filhos expulsos da tribo, acabam se reunindo e combinam matar o pai e comê-lo, para assim terem acesso aos prazeres e a força que não tinha, por causa da interdição do pai. Assim os filhos matam o pai, fazem um banquete, esses acreditavam que com isso restabeleceriam a ordem moral e social na tribo. O que não acontece, a ordem social só acontece com o acordo entre os irmãos e instituição das leis morais.
4- “Para Freud, esse é um ato coletivo instaurando o social como fundamento do real. O psicanalista restabelece a função paterna, mas assentada sobre o assassinato do pai da horda, aquele que mantinha as relações de dominação. Nele fora projetada uma relação dual e a-social do pai em relação ao filho, assegurando ao pai o poder absoluto. A passagem à sociabilidade se dá pela reunião dos filhos contra o pai. O poder é transferido à figura do pai morto, estando agora nas mãos dos filhos.” (p. 14).
5 – “O assassinato do pai e as atitudes religiosas e morais em relação a ele abrem caminho a uma relação abstrata, mediada por uma ausência real, correlata à castração que institui a função cultural do ancestral totêmico. Na figura do pai, realiza-se a fixação da libido, ganha-se um princípio tanto para a psicanálise, quanto para a formação social através desse objeto — o pai.”(p. 14).
6 – “O homem, no entanto, pagará por esse crime original, pagará sua dívida ancestral com a neurose, através da permanência desses estados instintivos originais atualizados no presente.” (p. 14).
- O Sentimento de culpa, de remorso fica vivo e impregnado na comunidade que não consegue sucesso na organização da comunidade. O ódio ao matar o pai, dá lugar ao remorso, arrependimento de ter matado o pai, e essa relação amor-ódio torna a figura do pai mais forte do que quando era vivo.
7 – “O relato mítico introduz na psicanálise uma lógica na qual o objeto é imaginário, mas, a partir dessa fantasia primordial, produz uma dívida simbólica em relação ao pai, que tem agora força de lei.” (p. 14).
8 – “Essa noção construída simbolicamente, cujo cerne é a castração, consiste no elemento de articulação essencial a toda evolução da sexualidade. Se o desrespeito à lei do pai provoca a falta, provoca também à pena e o castigo. A dívida assenta-se sobre a falta que mantém o desejo, revelando que este nunca deixou de estar submetido ao pai.” (p. 14).
9 – “Lacan conclui a questão do pai com o estranho silogismo: “a hipótese do inconsciente assinalada por Freud se sustenta com a suposição do Nome-do-Pai; supor o Nome-do-pai é supor Deus, a psicanálise procura mostrar que precisamos do Nome-do-pai na medida em que possamos deixá-lo de lado”. Esta é a conclusão da psicanálise.” (p. 18).
10 – “Tanto no misticismo judeu, quanto no amor cristão ou na sua função simbólica, o Pai absoluto é Deus, pivô do desejo. Esse Deus, na tradição judaico-cristã, é o deus de Moisés — a chama ardente que fala a Moisés e diz “Eu sou o que sou”. Para Lacan, essa voz não é um sujeito que fala no lugar do Outro, mas onde é “isso”, um Nome, do Pai — simbólico.” (p. 18).
11 – “Para Freud, o pai primordial é um animal, o chefe da horda transfigurado num mito animal, apresentado em totens nas culturas primitivas. Sua função é d“isso” — de que Lacan fala como um Nome Próprio.” (pág. 19).
12 – “Para entendermos o sacrifício do filho, temos que focar a faca, o objeto pelo qual Deus poderá consumar seu desejo perverso. Simbolicamente, “a faca de Moisés”, instrumento que irá consumar o ato que passa à história do povo judeu, “separa” o desejo de Deus (Outro) do gozo absoluto de Deus, consistindo naquilo que, em psicanálise, chamamos de objeto causa do desejo — objeto a. O mesmo Deus que exige de Abraão a morte de seu filho Isaac, é “o deus eterno tomado ao pé da letra, não por seu gozo insondável, mas interessado na ordem do mundo”15 — na Lei. Tal é a função paterna, que vai ao Pai todo poderoso e a qualquer um que encarne essa função.” (p.19).



Referência Bibliográfica:
SPARANO, Maria Cristina de Távora. Epistemologia da psicanálise / Maria Cristina de Távora Sparano. – Dados eletrônicos. - Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.

terça-feira, 3 de abril de 2018

CINEMA E PSICANÁLISE


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES 2
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: A Ética da Psicanálise.
Módulo 1 : Atividade 2: Cinema e Psicanálise
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves

 I. O texto fornece dois exemplos de cinema para apresentar um conceito psicanalítico. Vários livros e textos de divulgação têm sido escritos fazendo cruzamento entre imagens e cenas cinematográficas com conceitos psicanalíticos. Escolha umas cenas ou imagens de um filme e realize um exercício semelhante, utilizando conceitos psicanalíticos do seu conhecimento como desejo ou inconsciente, entre outros.


Filme: Série Caverna do Dragão
De acordo com os estudos de Slavoj Zizek, (1994, 1998, 2003, 2004, 2004b) a noção de desejo, gozo e dentre outros serve para apontar fenômenos sociais e políticos que ocorrem em nosso tempo. Assim, como o comportamento da sociedade contemporânea no que se refere ao consumo e a um insaciável desejo de conquistar e possuir algo, que muitas vezes ao acabar de conseguir, perde-se o interesse e sentido por total pelo objeto desejado. É um desejo que se fundamenta num ter, possuir um determinado objeto ou “status” e no momento que esse desejo é realizado o sujeito se lança em busca de outro, e não preenche o vazio nunca, pois esse está sempre na busca de algo para preencher o espaço vazio desse desejo.
Como exemplo pode se citar o filme da série a “caverna do dragão”. Criado por Michael Reaves, onde relata a história de seis jovens que acabam indo parar em outro mundo ou outra dimensão. E lá adquirem superpoderes e são orientados por um chefe intitulado “mestre dos magos”. Nesse mundo, surgem inimigos diversos, o pior deles chamado “vingador” que a todo custo quer tirar as armas dos seis jovens que lhes conferem superpoderes. Esses, orientados pelo “mestre dos magos” buscam com muito empenho encontrar o caminho de volta para casa, pois desejam ardentemente voltar, mas sempre que estão quase conseguindo surge um fato novo, ora são vencidos pelos inimigos, ou precisam lutar para salvar alguém que eles encontram pelos caminhos necessitando de ajuda. Isso os leva a ter que deixar e adiar a busca e desejo de encontrar o caminho de volta para casa. E assim, iniciam um novo ciclo de busca e desejo de encontrar o caminho para voltar, caminho esse, que eles não conseguem encontrar. Ficando assim, um desejo não realizado de voltar para o mundo deles, e a continua busca de encontrar o caminho e ter o desejo realizado, que acaba sempre tendo que ser adiado, motivado por fatores que vão surgindo nessa busca.

Referências Bibliográficas:
PEREZ, Daniel Omar. A ética da psicanálise / Daniel Omar Perez. – Dados eletrônicos. - Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.


AMOR EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁL...