ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Amor em
Filosofia e Psicanálise.
Módulo I: Atividade 2: Fichamento
texto Módulo 1 – O desejo ou a
concupiscência
ALUNO: Jacques Antonio
Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves
Fichamento do texto
Amor e paixão em filosofia e psicanálise - Módulo I – Unidade III e IV – O
desejo ou a concupiscência (p. 18 -27)
1 – “O desejo é a terceira
paixão na ordem da aparição, depois do amor e do ódio. Estas duas paixões têm
como objeto próprio o bem (amor) ou o mal (ódio) tanto presente como ausente. O
objeto próprio do desejo é unicamente o bem ausente ou não possuído (e
simplesmente considerado)” (p.18).
2 – “No
léxico tomista o desejo (desiderium)
pode-se tomar em sentido amplo e em sentido estrito. Em sentido amplo é a
apetência de qualquer espécie de bem (possuído ou não possuído, fácil ou
árduo). Em sentido estrito é a apetência do bem não possuído e não árduo. O
desejo denomina-se também “concupiscência” (p.18);
3 – “O amor é
a primeira de todas as paixões e tem como objeto próprio o bem simplesmente
considerado. Ao amor se opõe o ódio, que versa sobre o mal presente ou ausente.
O desejo se refere somente ao bem ausente e a ele se opõe a aversão (horror, fuga) que tem como objeto
próprio o mal ausente” (p.18).
4 – “O desejo estritamente considerado é uma
paixão concupiscível especial.
Prova-se esta assertiva mostrando que dito desejo se distingue especificamente
das demais paixões concupiscíveis (que versam sobre o bem ou sobre o mal
simplesmente considerados)” (p. 19).
5 – “O desejo natural acontece em todos os
seres, pois todos tendem naturalmente para a consecução do próprio bem ou da
própria perfeição. O desejo-paixão
convém a todos os animais, tanto irracionais como racionais. O desejo-volição só se dá nos 19 homens e
nos anjos” (p. 19).
6 – “Nenhum
desejo natural pode ser vão, porque a natureza nada faz inutilmente. Todos os
homens desejam naturalmente a felicidade e a existência perpétua ou a
imortalidade, não só enquanto a nosso ser específico, mas também enquanto a
nosso ser individual” (p. 19).
7 – “Todos os
homens desejam naturalmente ser felizes, mas diferem em seus juízos e escolhas
sobre o objeto em que se encontra ou se realiza sua felicidade. Nesses
conselhos e escolhas só acertam aqueles que colocam sua felicidade em Deus, que
é o supremo Bem real. Os bens criados são sempre imperfeitos. Só podem saciar
parcialmente nossos desejos, e logo nos cansamos deles, passando a desejar
outras coisas. Somente Deus é um bem perfeito e inesgotável; é o único capaz de
saciar todos os nossos desejos, e nunca podemos cansar-nos de amá-Lo e
desejá-Lo” (p. 20)
8 – “O homem
age bem, no plano moral, quando estabelece seu fim último em Deus (único bem
perfeito); age moralmente mal quando coloca sua felicidade nos bens criados
(que são sempre imperfeitos)” (p. 21).
9 – “As
paixões que nos inclinam para o pecado podem reduzir-se a três: a
concupiscência da carne ou dos prazeres carnais (luxúria), a concupiscência dos
olhos ou das riquezas materiais (avareza) e a soberba da vida, que implica o
amor exagerado de si mesmo” (p. 21).
10 – “[...] as causas principais do desejo são as
seguintes: causa formal é o bem simples enquanto ausente; causa final é o
deleite ou a posse do bem; causa eficiente próxima é o apetite concupiscível
que produz o ato desejante; causa eficiente remota é o amor (e especialmente o
amor de concupiscência)” (p. 21).
11 – “Os
efeitos do desejo são múltiplos e variam muito segundo as diversas classes e os
diversos sujeitos dos mesmos. Alguns efeitos são comuns ao desejo e ao amor
(como o “êxtase” ou a união afetiva); outros são próprios do desejo não
satisfeito (como a inquietude e os suspiros, as lutas e a busca do bem desejado);
outros, por fim, são típicos dos desejos satisfeitos (como o deleite, a paz e o
repouso) no bem obtido” (p. 21).
12 – “A
experiência mostra que nunca podem ser satisfeitos inteiramente tais desejos.
[...] Aqueles que colocam seu fim último ou sua felicidade nas riquezas, as
amam sem limites. Aqueles que só as apetecem como meios para satisfazer as
necessidades da vida, só as desejam moderadamente ou segundo essas
necessidades” (p. 22).
13 – “Tanto o
amor como o desejo possuem como objeto primário o fim, e como objetos
secundários os meios. O ódio é a
primeira paixão só na linha do mal, pois constitui o primeiro movimento afetivo
para evitar o mal ou o que é inconveniente. Na linha do bem o desejo é o efeito
primeiro do amor” (p. 23).
14 – “O
desejo pode ser causa de deleite ou
causa de dor. É causa de deleite
quando se obtém o bem desejado (deleite perfeito) ou se espera obtê-lo (deleite
imperfeito). É causa de dor quando não se consegue tal bem, ou quando
desesperamos de consegui-lo” (p. 23).
15 – “A desesperação implica a privação da
esperança e inclui também alienação afetiva do bem amado e desejado, ao
considerá-lo como inexeqüível para o sujeito” (p. 24).
16 – “O temor é contrário ao desejo, pois se
refere a algum mal árduo que ameaça o sujeito (o qual não convém de modo algum
ao desejo)” (p. 24).
17 – “É
manifesta a distinção entre o desejo e a ira.
Esta é uma paixão complexa (do apetite irascível), que supõe uma grave tristeza
pela injúria recebida e acrescenta o
desejo de vingança. Ao contrário, o desejo é uma paixão simples, que se
refere a um bem ausente e pertence ao apetite concupiscível” (p. 24).
18 – “A
moralidade do desejo depende dos objetos (bons ou maus moralmente) que
desejamos, assim como do modo de nossos desejos (moderados ou imoderados), da
condição do sujeito desejante e de outras várias circunstâncias. É natural e bom o desejo da felicidade.
Mas pecamos quando buscamos a felicidade perfeita nas criaturas e não em Deus”
(p. 24).
19 – “A temperança é uma virtude ordenada para
moderar as paixões do apetite concupiscível. [...] À virtude da temperança
pertencem diversas virtudes auxiliares, como a castidade, a abstinência e a
sobriedade. A castidade modera os
prazeres venéreos. A abstinência
ajuda muito à saúde corporal e espiritual ao moderar o uso dos alimentos. A sobriedade, em sentido estrito, se
refere à moderação nas bebidas alcoólicas e, em sentido amplo, é a virtude
reguladora de todo os nossos desejos” (p. 24 - 25).
20 – “Nossas
paixões são de natureza irracional porque pertencem ao apetite sensitivo, mas
devem ser consideradas como “humanas” precisamente por sua capacidade de
obedecer à razão: “As paixões da alma enquanto estão fora da ordem da razão
inclinam ao pecado; mas, enquanto reguladas por ela são atos virtuosos” (Suma de Teologia 1ª-11ac, q.24, a.2,
ad3)” (p. 27).
Atividades Propostas p. 28 – Unidade III e
IV
1 – o que
significa “desejo” para Tomás de Aquino?
R= No léxico
tomista o desejo (desiderium) pode-se tomar em sentido amplo e em sentido
estrito. Em sentido amplo é a apetência de qualquer espécie de bem (possuído ou
não possuído, fácil ou árduo). Em sentido estrito é a apetência do bem não
possuído e não árduo. O desejo denomina-se também “concupiscência”; mas este
termo é menos claro por ter múltiplas acepções.
2 – Quais as
relações entre o desejo e os outros afetos?
R= O objeto
próprio do amor (que é a primeira de todas as paixões) é o bem simplesmente
considerado, tanto presente como ausente, ao passo que o desejo só tem como
objeto próprio o bem simples enquanto ausente. O movimento afetivo segue um
processo circular: passa-se do amor ao fim (que é o princípio de apetência) ao
desejo dos meios ordenados ao mesmo, e se tende ao descanso na posse gozosa e
no amor consumado do fim apetecido. O desejo inclui, pois, um movimento afetivo
especial em direção ao objeto amado ainda não possuído. Neste sentido podemos
dizer que a atividade afetiva se inicia no desejo, e termina no amor consumado.
E no mesmo sentido costuma dizer-se que o desejo é como um amor imperfeito que
tem para o gozo e para o amor perfeito. Devemos recordar que o amor do fim é
sempre o primeiro; mas o desejo do fim pode ser causa do amor aos meios (como o
desejo de curar-se suscita o amor às medicinas). Tanto o amor como o desejo
possuem como objeto primário o fim, e como objetos secundários os meios.
3 – Explique
o que é moralidade do desejo.
R= A
moralidade do desejo depende dos objetos (bons ou maus moralmente) que
desejamos, assim como o modo de nossos desejos (moderados ou imoderados), da
condição do sujeito desejante e de outras várias circunstâncias. É natural e
bom o desejo da felicidade. Mas pecamos quando buscamos a felicidade perfeita
nas criaturas e não em Deus. Quem coloca em Deus sua felicidade última deve
ordenar todos os seus desejos para este fim. E nunca deve usar meios ilícitos
sob o pretexto de uma boa finalidade. (Ex. não devemos roubar para dar esmola).
4 – Qual o
papel das paixões para a perfeição moral segundo Tomás de Aquino?
R= Tomás de
Aquino destaca dois aspectos essenciais para compreender o papel das paixões na
perfeição moral do homem. - “Em primeiro
lugar, as paixões não possuem nenhum papel possível no conhecimento da natureza
da beatitude, nem sobrenatural, nem natural, uma vez que ambas se fundam em
nossa natureza intelectual e não em nossa natureza sensível: o tratado das
paixões é distinto da beatitude, assim como a parte sensitiva da alma se o
apetite sensível distingue-se de sua parte intelectiva; -- Em segundo lugar, as paixões têm uma
relação com a perfeição a que o homem pode chegar naturalmente, que é a
virtude, e que Tomás de Aquino identifica por vezes com a beatitude imperfeita
acessível nesta vida.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
MURTA, Cláudia; SANTOS, Jorge Augusto Silva; MURTA, Alberto. Amor & Paixão em Filosofia e Psicanálise. - Dados eletrônicos. – Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.