quarta-feira, 22 de agosto de 2018

AMOR EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Amor em Filosofia e Psicanálise.
Módulo I: Atividade 2: Fichamento texto Módulo 1 –  O desejo ou a concupiscência
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves

Fichamento do texto Amor e paixão em filosofia e psicanálise - Módulo I – Unidade III e IV – O desejo ou a concupiscência (p. 18 -27)
1 – “O desejo é a terceira paixão na ordem da aparição, depois do amor e do ódio. Estas duas paixões têm como objeto próprio o bem (amor) ou o mal (ódio) tanto presente como ausente. O objeto próprio do desejo é unicamente o bem ausente ou não possuído (e simplesmente considerado)” (p.18).
2 – “No léxico tomista o desejo (desiderium) pode-se tomar em sentido amplo e em sentido estrito. Em sentido amplo é a apetência de qualquer espécie de bem (possuído ou não possuído, fácil ou árduo). Em sentido estrito é a apetência do bem não possuído e não árduo. O desejo denomina-se também “concupiscência” (p.18);
3 – “O amor é a primeira de todas as paixões e tem como objeto próprio o bem simplesmente considerado. Ao amor se opõe o ódio, que versa sobre o mal presente ou ausente. O desejo se refere somente ao bem ausente e a ele se opõe a aversão (horror, fuga) que tem como objeto próprio o mal ausente” (p.18).
4 – “O desejo estritamente considerado é uma paixão concupiscível especial. Prova-se esta assertiva mostrando que dito desejo se distingue especificamente das demais paixões concupiscíveis (que versam sobre o bem ou sobre o mal simplesmente considerados)” (p. 19).
5 – “O desejo natural acontece em todos os seres, pois todos tendem naturalmente para a consecução do próprio bem ou da própria perfeição. O desejo-paixão convém a todos os animais, tanto irracionais como racionais. O desejo-volição só se dá nos 19 homens e nos anjos” (p. 19).
6 – “Nenhum desejo natural pode ser vão, porque a natureza nada faz inutilmente. Todos os homens desejam naturalmente a felicidade e a existência perpétua ou a imortalidade, não só enquanto a nosso ser específico, mas também enquanto a nosso ser individual” (p. 19).
7 – “Todos os homens desejam naturalmente ser felizes, mas diferem em seus juízos e escolhas sobre o objeto em que se encontra ou se realiza sua felicidade. Nesses conselhos e escolhas só acertam aqueles que colocam sua felicidade em Deus, que é o supremo Bem real. Os bens criados são sempre imperfeitos. Só podem saciar parcialmente nossos desejos, e logo nos cansamos deles, passando a desejar outras coisas. Somente Deus é um bem perfeito e inesgotável; é o único capaz de saciar todos os nossos desejos, e nunca podemos cansar-nos de amá-Lo e desejá-Lo” (p. 20)
8 – “O homem age bem, no plano moral, quando estabelece seu fim último em Deus (único bem perfeito); age moralmente mal quando coloca sua felicidade nos bens criados (que são sempre imperfeitos)” (p. 21).
9 – “As paixões que nos inclinam para o pecado podem reduzir-se a três: a concupiscência da carne ou dos prazeres carnais (luxúria), a concupiscência dos olhos ou das riquezas materiais (avareza) e a soberba da vida, que implica o amor exagerado de si mesmo” (p. 21).
10 – “[...] as causas principais do desejo são as seguintes: causa formal é o bem simples enquanto ausente; causa final é o deleite ou a posse do bem; causa eficiente próxima é o apetite concupiscível que produz o ato desejante; causa eficiente remota é o amor (e especialmente o amor de concupiscência)” (p. 21).
11 – “Os efeitos do desejo são múltiplos e variam muito segundo as diversas classes e os diversos sujeitos dos mesmos. Alguns efeitos são comuns ao desejo e ao amor (como o “êxtase” ou a união afetiva); outros são próprios do desejo não satisfeito (como a inquietude e os suspiros, as lutas e a busca do bem desejado); outros, por fim, são típicos dos desejos satisfeitos (como o deleite, a paz e o repouso) no bem obtido” (p. 21).
12 – “A experiência mostra que nunca podem ser satisfeitos inteiramente tais desejos. [...] Aqueles que colocam seu fim último ou sua felicidade nas riquezas, as amam sem limites. Aqueles que só as apetecem como meios para satisfazer as necessidades da vida, só as desejam moderadamente ou segundo essas necessidades” (p. 22).
13 – “Tanto o amor como o desejo possuem como objeto primário o fim, e como objetos secundários os meios. O ódio é a primeira paixão só na linha do mal, pois constitui o primeiro movimento afetivo para evitar o mal ou o que é inconveniente. Na linha do bem o desejo é o efeito primeiro do amor” (p. 23).
14 – “O desejo pode ser causa de deleite ou causa de dor. É causa de deleite quando se obtém o bem desejado (deleite perfeito) ou se espera obtê-lo (deleite imperfeito). É causa de dor quando não se consegue tal bem, ou quando desesperamos de consegui-lo” (p. 23).
15 – “A desesperação implica a privação da esperança e inclui também alienação afetiva do bem amado e desejado, ao considerá-lo como inexeqüível para o sujeito” (p. 24).
16 – “O temor é contrário ao desejo, pois se refere a algum mal árduo que ameaça o sujeito (o qual não convém de modo algum ao desejo)” (p. 24).
17 – “É manifesta a distinção entre o desejo e a ira. Esta é uma paixão complexa (do apetite irascível), que supõe uma grave tristeza pela injúria recebida e acrescenta o  desejo de vingança. Ao contrário, o desejo é uma paixão simples, que se refere a um bem ausente e pertence ao apetite concupiscível” (p. 24).
18 – “A moralidade do desejo depende dos objetos (bons ou maus moralmente) que desejamos, assim como do modo de nossos desejos (moderados ou imoderados), da condição do sujeito desejante e de outras várias circunstâncias. É natural e bom o desejo da felicidade. Mas pecamos quando buscamos a felicidade perfeita nas criaturas e não em Deus” (p. 24).
19 – “A temperança é uma virtude ordenada para moderar as paixões do apetite concupiscível. [...] À virtude da temperança pertencem diversas virtudes auxiliares, como a castidade, a abstinência e a sobriedade. A castidade modera os prazeres venéreos. A abstinência ajuda muito à saúde corporal e espiritual ao moderar o uso dos alimentos. A sobriedade, em sentido estrito, se refere à moderação nas bebidas alcoólicas e, em sentido amplo, é a virtude reguladora de todo os nossos desejos” (p. 24 - 25).
20 – “Nossas paixões são de natureza irracional porque pertencem ao apetite sensitivo, mas devem ser consideradas como “humanas” precisamente por sua capacidade de obedecer à razão: “As paixões da alma enquanto estão fora da ordem da razão inclinam ao pecado; mas, enquanto reguladas por ela são atos virtuosos” (Suma de Teologia 1ª-11ac, q.24, a.2, ad3)” (p. 27).

Atividades Propostas p. 28 – Unidade III e IV
1 – o que significa “desejo” para Tomás de Aquino?
R= No léxico tomista o desejo (desiderium) pode-se tomar em sentido amplo e em sentido estrito. Em sentido amplo é a apetência de qualquer espécie de bem (possuído ou não possuído, fácil ou árduo). Em sentido estrito é a apetência do bem não possuído e não árduo. O desejo denomina-se também “concupiscência”; mas este termo é menos claro por ter múltiplas acepções.
2 – Quais as relações entre o desejo e os outros afetos?
R= O objeto próprio do amor (que é a primeira de todas as paixões) é o bem simplesmente considerado, tanto presente como ausente, ao passo que o desejo só tem como objeto próprio o bem simples enquanto ausente. O movimento afetivo segue um processo circular: passa-se do amor ao fim (que é o princípio de apetência) ao desejo dos meios ordenados ao mesmo, e se tende ao descanso na posse gozosa e no amor consumado do fim apetecido. O desejo inclui, pois, um movimento afetivo especial em direção ao objeto amado ainda não possuído. Neste sentido podemos dizer que a atividade afetiva se inicia no desejo, e termina no amor consumado. E no mesmo sentido costuma dizer-se que o desejo é como um amor imperfeito que tem para o gozo e para o amor perfeito. Devemos recordar que o amor do fim é sempre o primeiro; mas o desejo do fim pode ser causa do amor aos meios (como o desejo de curar-se suscita o amor às medicinas). Tanto o amor como o desejo possuem como objeto primário o fim, e como objetos secundários os meios.
3 – Explique o que é moralidade do desejo.
R= A moralidade do desejo depende dos objetos (bons ou maus moralmente) que desejamos, assim como o modo de nossos desejos (moderados ou imoderados), da condição do sujeito desejante e de outras várias circunstâncias. É natural e bom o desejo da felicidade. Mas pecamos quando buscamos a felicidade perfeita nas criaturas e não em Deus. Quem coloca em Deus sua felicidade última deve ordenar todos os seus desejos para este fim. E nunca deve usar meios ilícitos sob o pretexto de uma boa finalidade. (Ex. não devemos roubar para dar esmola).
4 – Qual o papel das paixões para a perfeição moral segundo Tomás de Aquino?
R= Tomás de Aquino destaca dois aspectos essenciais para compreender o papel das paixões na perfeição moral do homem.  - “Em primeiro lugar, as paixões não possuem nenhum papel possível no conhecimento da natureza da beatitude, nem sobrenatural, nem natural, uma vez que ambas se fundam em nossa natureza intelectual e não em nossa natureza sensível: o tratado das paixões é distinto da beatitude, assim como a parte sensitiva da alma se o apetite sensível distingue-se de sua parte intelectiva;  -- Em segundo lugar, as paixões têm uma relação com a perfeição a que o homem pode chegar naturalmente, que é a virtude, e que Tomás de Aquino identifica por vezes com a beatitude imperfeita acessível nesta vida.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:


MURTA, Cláudia; SANTOS, Jorge Augusto Silva; MURTA, Alberto. Amor & Paixão em Filosofia e Psicanálise. - Dados eletrônicos. – Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

DESEJO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Desejo em Filosofia e Psicanálise.
Módulo III: Atividade 9: Análise De um filme “Esse obscuro objeto do desejo”
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves

ATIVIDADE  9 – Análise de um filme – “Esse obscuro objeto do desejo”
Elaboração de um pequeno texto sobre o tema abordado no filme procurando perceber como a arte dispõe, em outros termos, as afirmações dos autores:
- o desejo é desejo de nada;
- o desejo não encontra jamais uma satisfação possível na consumação do objeto;
- desejo com “paixão da perda”;
- desejar é querer se perder com ser humano.

Boa parte da narrativa do filme ocorre durante uma viagem de trem, quando o personagem Matheo voltava de Paris.  Matheo um senhor idoso e rico, nessa viagem relata aos passageiros que estão com ele no mesmo vagão do trem, o motivo que o levou a jogar um balde de água numa moça de nome Conchita na estação, logo após o seu embarque
Matheo explica para esses passageiros que Conchita não presta e por isso agiu daquela forma. Diz que agiu assim por raiva, uma forma de dar uma punição pelo que a moça o tinha feito passar. Contou que ao promover um jantar em sua casa para um primo juiz, Conchita que havia sido contratada para ajudar nos serviços, logo despertou nele um encantamento, um fascínio que o deixou descontrolado, uma atração sexual muito forte que o dominava, um desejo sem explicação e sem controle, uma atração que ele não tinha como dominar.  Assim, ele ao fim do jantar chamou Conchita e disse que não a queria como empregada e fez um convite bastante ousado, queria passar a noite com ela. Afinal ele estava viúvo há 7 anos e  se mantinha celibatário. Conchita que faz um personagem muito misterioso aceitou. É claro movida por interesses, pois ela percebeu que ali encontraria conforto, dinheiro e vida boa, tudo que ela buscava. Entendeu que Matheo idoso e rico tinha ficado enfeitiçado por ela. Com tudo isso seria fácil enganá-lo e mantê-lo preso a um desejo que ela não deixa que ele o realize, pois sempre ela arranja uma forma de adiar. Conchita sabe que o desejo de Matheo não se realizará  naquele momento, pois caso ela venha a ceder aos desejos incontroláveis de Matheo, perderá o poder de domínio que exerce sobre ele. No filme cria-se muito mistério, pois não só Matheo, mas outros personagens que passam pelo filme carregam uns estranhos sacos, que não se sabe o que tem dentro, que obscuro objeto esses personagens escondem dentro daqueles sacos. O que o produtor do filme quis mostrar com isso? Seriam os desejos que cada um carrega na vida e não realiza?
Outras cenas inusitadas ocorrem ao longo do filme como; assaltos e atentados com explosões de carros. Essas cenas ocorrem paralelamente enquanto o encontro entre Matheo e Conchita não acontece e a luta por tê-la continua. Chega até oferecer dinheiro para a mãe de Conchita, com o objetivo de comprá-la e fazer uma aliada. A cena é mesclada com um rato sendo preso numa ratoeira, que leva-nos a pensar que um está tentando prender o outro.
O filme tenta mostrar o que uma pessoa faz para ter o seu desejo saciado, mas o que leva a pessoa a desejar? Seria a falta, a ausência? Parece que sim, só desejamos o que não temos, quando conseguimos o objeto desejado, sentimo-nos satisfeitos e assim o desejo acaba. Por isso Conchita não cedia aos apelos sexuais de Matheo, pois sabia que o desejo sexual existia por causa da falta, se o objeto do desejo fosse conquistado, o desejo desapareceria. Matheo se desespera por não conseguir consumar o seu desejo, pois o objeto do seu desejo é inacessível. O que o faz o desejo aumentar mais ainda, chegando quase a enlouquecer, o que para nós é a constatação do estado de desamparo, isto é, Matheo fica inteiramente dependente de Conchita, o que gera angustia por não realização do desejo.
Por outro lado Conchita também tem o interesse em ser desejada por matheo, ela quer ser objeto de seu desejo, porém ela sabe que o desejo de Matheo não se realizará, pois para ela a não realização do desejo significa liberdade e o domínio sobre ele.  Além de que se ceder aos seus apelos se tornará um objeto, uma coisa.
Observa-se ainda que nada impediria que Matheo viesse a  se casar com Conchita, mas ele não queira, pois com o casamento ela passaria a ter tudo, e ele não teria mais o controle e a posse. Nessa situação vive-se uma disputa, ela lhe nega o sexo e ele o casamento. Ambos presos nesse obscuro objeto do desejo um do outro.
O filme deixa um suspense em relação ao desejo e o querer humano. Os atentados e a destruições mostram o que um desejo arrebatador poder fazer com uma pessoa, isto é, pode até levá-la a morte, ou a destruição do outro. Por outro lado, a camisola ensangüentada que foi retirada do saco e levada para ser costurada e reparada, abre-se duas linhas de pensamento; a primeira, enfim o desejo de Matheo teria sido consumado e ele queria eternizar o momento consertando o símbolo da consumação para guardá-lo. A segunda hipótese seria pensar que o desejo não realizado é como uma explosão mata e não tem reparação.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

SOUZA, Thana Mara de, O desejo nos pensamentos de Sartre e Lacan [ recursos eletrônicos] / Thana Mara de Souza, Cláudia Murta.  - Dados eletrônicos. - Vitória: UFES, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.


ANGÚSTIA EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Angústia em Filosofia e Psicanálise.
Módulo III: Avaliação Final: A Angústia em Lacan Heidegger e Kierkegaard.
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves

A Angústia em Lacan

A angústia como observa Lacan é “aquilo que não engana” (Lacan, 2004 [1963], p.92). Essa é a definição de angústia para o psicanalista Lacan. Porém têm-se outras definições como: a sensação de vazio, o aperto no íntimo do ser e etc. Todas essas sensações são classificadas como angústia, ou seja, é algo real que pode ocorrer com o indivíduo. Não há uma distinção para se estabelecer suas causas.
 Para os psiquiatras o sujeito angustiado necessita de cuidados médicos, pois para esses profissionais as disfunções são causadas por problemas bioquímicos ou genéticos, e devem ser tratados com remédios e assim, se resolve tudo (MURTA, 2017, p.7).
Para Lacan a angústia é um afeto e diferente de emoção.  O afeto não é uma emoção.  Na psicanálise procura afastá-los da proposta de análise psicofisiológica e procura aproximar-se da filosofia. O mesmo ocorrendo em relação ao afeto da angústia. O afeto ainda traduz a presença de um sujeito em suas relações constitutivas com a linguagem.  É a expressão do sujeito afetado sem possibilidade de reparo em sua desadaptação originária, no desamparo enquanto ser de linguagem (MURTA, 2017, p. 8 e10).
No pensamento de Lacan a angústia é o afeto próprio do sujeito, o afeto estruturante da existência, e a psicanálise não propõem a cura da angústia por meio de recursos de uma racionalidade instrumental, mas a angustia é uma feto do sujeito implicado em seu sofrimento, na sua singularidade, com um saber a partir de sua relação com a linguagem, enquanto sujeito afetado pela palavra e implicado em um dizer (MURTA, 2017, p.11).
A angústia lacaniana é uma via de acesso ao objeto a que causa o desejo. Em seu conceito a angustia está aquém do desejo, afirma ainda o verdadeiro objeto causa do desejo está atrás e não na frente do desejo (MURTA, 2017, p. 17)
Por fim, Lacan discute a angústia como uma alternativa à Aufhebung (é a palavra dialética que se desvela no sentido de negar) para evidenciar aquilo que escapa à Aufhegung, aquilo que não é significável, que constitui resto de toda significação (MURTA, 2017, p. 40).

A Angústia em Heidegger

No pensamento de Heidegger a angústia é interpretada como uma disposição fundamental que promove uma abertura privilegiada de nossa existência. Essa disposição significa humor, que de certa forma nos dispõe no que somos. Existimos sempre afinados em um humor que completa o sentido do que aparece. Nada aparece sem o humor. O primeiro a fazer essa afirmação foi Aristóteles, que mostrou como a realidade sempre aparece em uma disposição de humor (PESSOA, 2017, p. 21).
Heidegger pensa a disposição da angústia a partir da desconstrução da metafísica; desconstruir significa um duplo movimento destruir e construir, isto é uma destruição da interpretação ontológica da tradição filosófica a fim de reconstruir a questão do ser num horizonte de pensamento que não é mais metafísico (PESSOA, 2017, p. 21).
Nesse sentido, Heidegger mostra como a angústia é uma disposição fundamental e que essa promove uma abertura privilegiada de nosso ser, esclarece a sua dimensão ontológica e existencial, esse ainda contrapõe a angústia ao medo que de certa forma acabam sendo confundidas. Procura distinguir angústia do medo destacando a diferença entre um e o outro. O que faz sentir angústia? O que faz sentido medo? O medo é algo amedrontador é sempre a aproximação de um ente que nos ameaça, que quer nos prejudicar, nos deixa temerosos com o que poderá nos ocorrer, indica a proximidade do risco, do perigo que estamos correndo. O medo é sempre uma disposição que ocorre em algumas situações, seja por receio, pavor, acanhamento, timidez, terror, etc. o medo é o que se torna uma ameaça. Já a angústia, essa é inteiramente indeterminada, na angústia os entes que nos cercam tornam-se insignificantes e na insignificância das circunstâncias em que estamos, sobrevém o nada, o abismo de possibilidade do ser. A angústia revela o nada. Isso significa que o ente tem tão pouca importância que somente o mundo se impõe em sua mundanidade (PESSOA, 2017, p. 30).
A angústia revela a singularidade de nossa existência, a propriedade do nosso sentido de ser. Só na angústia existe a possibilidade de uma abertura privilegiada, uma vez que ela singulariza, retira a presença de sua decadência e revela a possibilidade do ser. Essa revela ainda o nosso próprio ser, nossa liberdade de ser o que somos, ela nos dá liberdade de vivermos o nosso próprio destino e decidirmos qual é o sentido da nossa existência. (PESSOA, 2017, p. 30).
Portanto, conclui-se que no pensamento de Heidegger a angústia é entendida como uma disposição privilegiada tanto no sentido ontológico, como via de acesso para uma compreensão do ser, quanto no sentido existencial, por restituir a propriedade de nosso modo de ser. Essas duas disposições: o ontológico e o existencial compõem o novo horizonte de pensamento proposto por Heidegger: o ser não é um ente, e nós precisamos compreendê-lo em uma experiência original de nossa existência, diferente dos conceitos tradicionais dos juízos metafísicos (voltados para a essência) e a angústia é essa via que proporciona uma real transformação existencial (PESSOA, 2017, p. 30).

A Angústia em Kierkegaard

Pensador religioso assume o debate em oposição a Hegel, de quem sempre foi crítico e com quem debateu durante toda a sua vida. O tema que estava no centro dos debates era a religião e a crise no cristianismo, pois Hegel pensava que tinha resolvido o problema entre a religião e o mundo moderno, provocado pelo iluminismo e pela Revolução Francesa, pensava ainda que havia restabelecido o equilíbrio  na religião dando ao cristianismo o lugar de religião perfeita.  No entanto, para Kierkegaard o importante não é encontrar a verdade objetiva, mas a verdade subjetiva do indivíduo e apresenta um cristianismo verdadeiro, não orientado pela filosofia especulativa, catedrática e distante do indivíduo, mas direcionado no sentido subjetivo da interioridade, parte do princípio que; “Deus se encontra com o individuo, e este encontro a razão não alcança”.  Não se alcança Deus pela razão, e uma questão de vocação, que só pode ser entendia pela fé (MURTA, 2017, p. 34).
A discussão entre Hegel e Kierkegaard é longa no que se refere à questão do cristianismo, sempre em oposição um do ouro. No pensamento de Kierkegaard tudo que era imanente entre humano e divino em Hegel foi rompido com o pecado e também pela graça, o sentimento de pecado é sempre conservado. O pecado é tratado no conceito de angústia, no entanto o pecado, da mesma forma a angústia podem não serem um conceito. Pois um conceito é um objeto de estudo para uma ciência e o pecado e a angústia não são objeto de estudo da ciência. O pecado não é um objeto de pensamento, ele é individual, positivo, transcendente, descontínuo. Sua descontinuidade se mostra pela via do salto. Tudo que é novo surge pela via do salto e de forma inesperada. Em seu conceito esse propõe examinar a angústia pela via do pecado. Onde o pecado se impõe como afirmação da singularidade do indivíduo apresentado-se como salto qualitativo ( MURTA, 2017, p. 36 e 37).
O ponto de partida do conceito de angústia em Kierkegaard é a análise da história de Adão e Eva, a cada geração ele se renova, uma reflexão sobre a falta, uma releitura da história do pecado original. O centro do pecado original é a angústia. Essa aparece como conseqüência das diferentes formas que a negatividade se apresenta diante  a queda pelo pecado original.  O pecado faz o homem perder a condição original de inocência ou ignorância (MURTA, 2017, p. 37).
A angústia é simpatia antipática e antipatia simpática, ela é o limite entre inocência e o pecado, pois o pecado se dá no instante que é a angústia. E nesse fenômeno da angústia se revela a positividade do nada. Esse se apresenta no momento em que ainda não se é culpado, mas já se perdeu a inocência (MURTA, 2017, p. 38).
Conclui-se que todo homem após Adão sente angústia, pois ele representa toda a espécie humana, embora todo o pecado seja individual, mas ao mesmo tempo está registrado na espécie humana. Kierkegaard postula que; “todo homem é angustiado, mesmo o mais feliz de todos. A angústia é característica humana. Quanto maior é a sua angústia, mais humanizado se torna o homem” (MURTA, 2017 p. 38).


Referência Bibliográfica:
MURTA, Cláudia. Angústia em filosofia e psicanálise/ Cláudia Murta, Fernando Pessoa – Dados eletrônicos – Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.

terça-feira, 24 de abril de 2018

FICHAMENTO TEXTO TOTEM E TABU





UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Epistemologia da Psicanálise
Módulo III: Atividade 12: Fichamento
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves

Fichamento: do texto de Freud módulo I “Totem e Tabu”
Pág. 09 a 19.

1 – “[...] no texto Totem e Tabu (1913) — o mito da horda primeva, tomado a Darwin, que parte de observações antropológicas relatadas por Atkinson e localizadas na Austrália. A posição freudiana em relação ao evolucionismo aí contido é atópica em relação ao relato etnológico, oferecendo uma versão psicanalítica da noção de pai da horda e da consequente constituição social”. (p. 9).
- Freud usa a teoria de Darwin dos homens primitivos para falar do mito do pai primevo. Onde Darwin fala dos homens primitivos que viviam em hordas, e que o macho mais velho e forte dominava os mais fracos e com isso evitava a promiscuidade sexual.
2 – “[...] Freud em Totem e Tabu (1913) não têm uma carga moral original, mas se tornam morais a partir de suas observações. O medo e a proibição do incesto, nas sociedades primitivas, por exemplo, visavam afirmar a isogamia. Essas restrições impostas aos membros da sociedade primitiva são originadas no totem, este objeto ou animal investido de poderes, que desperta medo e respeito e sobre o qual se projeta todo o narcisismo próprio ao ambiente anímico.” (p. 13).
- No mito do pai primevo, Freud expressa como o pai da horda primitiva mantinha todas as mulheres da tribo para ele e proibia aos demais. Esse expulsava os filhos quando chegavam à idade adulta para não ameaçar o seu domínio.
3 – “Ao totem, os primitivos dirigem uma direção afetiva, enquanto o tabu tem o papel de receber a agressividade dirigida à figura dos inimigos, dos chefes e dos mortos, figuras onipotentes, correlatas aos demônios. No primitivo localizamos a ambivalência de sentimentos: amor e ódio. A atuação psíquica desses sentimentos compara-se à da neurose na busca de satisfação pulsional, quando o elemento individual e social se recobrem.” ( p. 13).
-Freud entende que os filhos expulsos da tribo, acabam se reunindo e combinam matar o pai e comê-lo, para assim terem acesso aos prazeres e a força que não tinha, por causa da interdição do pai. Assim os filhos matam o pai, fazem um banquete, esses acreditavam que com isso restabeleceriam a ordem moral e social na tribo. O que não acontece, a ordem social só acontece com o acordo entre os irmãos e instituição das leis morais.
4- “Para Freud, esse é um ato coletivo instaurando o social como fundamento do real. O psicanalista restabelece a função paterna, mas assentada sobre o assassinato do pai da horda, aquele que mantinha as relações de dominação. Nele fora projetada uma relação dual e a-social do pai em relação ao filho, assegurando ao pai o poder absoluto. A passagem à sociabilidade se dá pela reunião dos filhos contra o pai. O poder é transferido à figura do pai morto, estando agora nas mãos dos filhos.” (p. 14).
5 – “O assassinato do pai e as atitudes religiosas e morais em relação a ele abrem caminho a uma relação abstrata, mediada por uma ausência real, correlata à castração que institui a função cultural do ancestral totêmico. Na figura do pai, realiza-se a fixação da libido, ganha-se um princípio tanto para a psicanálise, quanto para a formação social através desse objeto — o pai.”(p. 14).
6 – “O homem, no entanto, pagará por esse crime original, pagará sua dívida ancestral com a neurose, através da permanência desses estados instintivos originais atualizados no presente.” (p. 14).
- O Sentimento de culpa, de remorso fica vivo e impregnado na comunidade que não consegue sucesso na organização da comunidade. O ódio ao matar o pai, dá lugar ao remorso, arrependimento de ter matado o pai, e essa relação amor-ódio torna a figura do pai mais forte do que quando era vivo.
7 – “O relato mítico introduz na psicanálise uma lógica na qual o objeto é imaginário, mas, a partir dessa fantasia primordial, produz uma dívida simbólica em relação ao pai, que tem agora força de lei.” (p. 14).
8 – “Essa noção construída simbolicamente, cujo cerne é a castração, consiste no elemento de articulação essencial a toda evolução da sexualidade. Se o desrespeito à lei do pai provoca a falta, provoca também à pena e o castigo. A dívida assenta-se sobre a falta que mantém o desejo, revelando que este nunca deixou de estar submetido ao pai.” (p. 14).
9 – “Lacan conclui a questão do pai com o estranho silogismo: “a hipótese do inconsciente assinalada por Freud se sustenta com a suposição do Nome-do-Pai; supor o Nome-do-pai é supor Deus, a psicanálise procura mostrar que precisamos do Nome-do-pai na medida em que possamos deixá-lo de lado”. Esta é a conclusão da psicanálise.” (p. 18).
10 – “Tanto no misticismo judeu, quanto no amor cristão ou na sua função simbólica, o Pai absoluto é Deus, pivô do desejo. Esse Deus, na tradição judaico-cristã, é o deus de Moisés — a chama ardente que fala a Moisés e diz “Eu sou o que sou”. Para Lacan, essa voz não é um sujeito que fala no lugar do Outro, mas onde é “isso”, um Nome, do Pai — simbólico.” (p. 18).
11 – “Para Freud, o pai primordial é um animal, o chefe da horda transfigurado num mito animal, apresentado em totens nas culturas primitivas. Sua função é d“isso” — de que Lacan fala como um Nome Próprio.” (pág. 19).
12 – “Para entendermos o sacrifício do filho, temos que focar a faca, o objeto pelo qual Deus poderá consumar seu desejo perverso. Simbolicamente, “a faca de Moisés”, instrumento que irá consumar o ato que passa à história do povo judeu, “separa” o desejo de Deus (Outro) do gozo absoluto de Deus, consistindo naquilo que, em psicanálise, chamamos de objeto causa do desejo — objeto a. O mesmo Deus que exige de Abraão a morte de seu filho Isaac, é “o deus eterno tomado ao pé da letra, não por seu gozo insondável, mas interessado na ordem do mundo”15 — na Lei. Tal é a função paterna, que vai ao Pai todo poderoso e a qualquer um que encarne essa função.” (p.19).



Referência Bibliográfica:
SPARANO, Maria Cristina de Távora. Epistemologia da psicanálise / Maria Cristina de Távora Sparano. – Dados eletrônicos. - Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.

terça-feira, 3 de abril de 2018

CINEMA E PSICANÁLISE


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES 2
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: A Ética da Psicanálise.
Módulo 1 : Atividade 2: Cinema e Psicanálise
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves

 I. O texto fornece dois exemplos de cinema para apresentar um conceito psicanalítico. Vários livros e textos de divulgação têm sido escritos fazendo cruzamento entre imagens e cenas cinematográficas com conceitos psicanalíticos. Escolha umas cenas ou imagens de um filme e realize um exercício semelhante, utilizando conceitos psicanalíticos do seu conhecimento como desejo ou inconsciente, entre outros.


Filme: Série Caverna do Dragão
De acordo com os estudos de Slavoj Zizek, (1994, 1998, 2003, 2004, 2004b) a noção de desejo, gozo e dentre outros serve para apontar fenômenos sociais e políticos que ocorrem em nosso tempo. Assim, como o comportamento da sociedade contemporânea no que se refere ao consumo e a um insaciável desejo de conquistar e possuir algo, que muitas vezes ao acabar de conseguir, perde-se o interesse e sentido por total pelo objeto desejado. É um desejo que se fundamenta num ter, possuir um determinado objeto ou “status” e no momento que esse desejo é realizado o sujeito se lança em busca de outro, e não preenche o vazio nunca, pois esse está sempre na busca de algo para preencher o espaço vazio desse desejo.
Como exemplo pode se citar o filme da série a “caverna do dragão”. Criado por Michael Reaves, onde relata a história de seis jovens que acabam indo parar em outro mundo ou outra dimensão. E lá adquirem superpoderes e são orientados por um chefe intitulado “mestre dos magos”. Nesse mundo, surgem inimigos diversos, o pior deles chamado “vingador” que a todo custo quer tirar as armas dos seis jovens que lhes conferem superpoderes. Esses, orientados pelo “mestre dos magos” buscam com muito empenho encontrar o caminho de volta para casa, pois desejam ardentemente voltar, mas sempre que estão quase conseguindo surge um fato novo, ora são vencidos pelos inimigos, ou precisam lutar para salvar alguém que eles encontram pelos caminhos necessitando de ajuda. Isso os leva a ter que deixar e adiar a busca e desejo de encontrar o caminho de volta para casa. E assim, iniciam um novo ciclo de busca e desejo de encontrar o caminho para voltar, caminho esse, que eles não conseguem encontrar. Ficando assim, um desejo não realizado de voltar para o mundo deles, e a continua busca de encontrar o caminho e ter o desejo realizado, que acaba sempre tendo que ser adiado, motivado por fatores que vão surgindo nessa busca.

Referências Bibliográficas:
PEREZ, Daniel Omar. A ética da psicanálise / Daniel Omar Perez. – Dados eletrônicos. - Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.


sábado, 24 de fevereiro de 2018

FICHAMENTO DE LIVRO


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES 2
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Paixões e psicanálise: Dimensões modernas da natureza humana.
Módulo 3 : Atividade12: Fichamento
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves

Atividade 12: Fichamento
Fichamento dos livro:
BOCCA, Francisco Verardi. Paixões & psicanálise [recurso eletrônico]: dimensões modernas da natureza humana / Francisco Verardi Bocca. - Dados eletrônicos. - Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017-Módulo III – No princípio do prazer: Freud.

1 – “A proposta freudiana considerava os seres humanos como objetos naturais submetidos a causa e leis naturais. Nessa perspectiva é que ele enfrentou o desafio da articulação entre corpo e mente, apoiado na ciência natural e na teoria das paixões, ambas prevalecentes em sua época.” ( pág. 24)
2 – “Pode-se começar pela consideração de que o ser humano é dotado de um sistema nervoso cuja arquitetura seria organizada em torno da função de manter a variação de estímulos recebidos igual ou próxima de zero.” (p. 25)
- Destaca-se que nesse tempo, o sistema nervoso era considerado apenas um conjunto de neurônios e Freud o nomeou phi. O que permitiu entender o percurso para excitação que vai do lado perceptivo ao lado motor do sistema.
3 – “Freud apresentou, assim, a hipótese inicial de uma arquitetura neuronal concebida a partir de um sistema nervoso primário que exerce funções sensoriais e motoras por meio do movimento arco--reflexo. Nesse sistema, princípio de inércia e movimento reflexo atuam numa combinação necessária e suficiente, visando exercer a função primária dele — manter-se livre de estímulos.” ( p. 25)
- Porém, Freud (1995, p.10) afirmar que o sistema nervoso recebe estímulos do próprio corpo, estímulos esses, que estão ligados a vida, a conservação e manutenção da mesma como: respiração, sexualidade e fome. Esses não permitem serem eliminados pela ação reflexo-motora.
 4 – “Nesse sentido, considere-se que o sistema nervoso é composto, de acordo com Freud, de neurônios distintos, interligados, nos quais, “estão prefiguradas certas direções de condução, na medida em que recebem através de prolongamentos celulares e emitem por meio de cilindros do eixo. Além disso, existe ainda uma numerosa ramificação com diferença de calibre” (1995, p. 11/12).” (p. 26)
- Essa circulação faz com que os neurônios, ora estejam ocupado e noutro momento desocupado, todo esse transito é que forma o complexo sistema nervoso. Primeiro a capacidade eliminar e acumular estímulos e segundo as resistências que dificultam, regulam e eliminam ao mesmo tempo conhecidas como; barreiras de contato.
5 – “Freud admitiu a existência de duas classes de neurônios: a composta de células perceptivas e a de células recordativas.” (p. 27)
6 – “[...] o autor destaca a diferença funcional entre os neurônios, ou classes deles, a qual permite, inclusive, que estes desempenhem as funções perceptivas e recordativas. Tal diferença não seria de outra natureza que aquela relativa à quantidade de estimulação que os neurônios sofrem, [...] seja para permitir o escoamento pelas células perceptivas, seja para promover a conservação pelas células recordativas. (p. 27)
- Freud admitiu os dois sistemas de neurônios, o phi e o psi; ambos responsáveis pela percepção e pela memória ao mesmo tempo. Ele, na mesma linha de Hobbes, Locke e Condillac, também caminhou para compreender a questão qualitativa no que se refere as funções mentais ou psíquicas e da motivação das nossas ações, que nos leva a preferir uma coisa a outra, que nos leva a sair do repouso ao movimento. Pois, sem o fator qualitativo os nossos pensamentos seriam sem direção.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

BOCCA, Francisco Verardi. Paixões & psicanálise [recurso eletrônico]: dimensões modernas da natureza humana / Francisco Verardi Bocca. - Dados eletrônicos. - Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017-

sábado, 9 de dezembro de 2017

RESENHA DE VÍDEO


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Freud como Teórico da Modernidade Bloqueada.
MÓDULO III: Atividade:  final: Resenha de Vídeo Aula.
ALUNO: Jacques Antonio Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORACynthia A. Gonçalves

SAFATLE,Vladimir. Freud, Hobbes e o destino do corpo político. IV FÓRUM BRASILEIRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS POLÍTICAS, 2015. Rio de janeiro. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=VZllFKMCHMw>. Acesso em 09.12.2017.
Autor: Jacques Antonio Contarini Pereira
O vídeo mostra a palestra proferida pelo professor Vladimir Safatle, que é professor da faculdade de filosofia da USP, que tem como base a tese defendida no livro que ele lançará com o título “circuitos dos afetos”. Nesse livro, ele relata um discurso sobre a teoria dos afetos, da filosofia política e como é possível a partir de uma reflexão sobre as dinâmicas dos afetos políticos pensar processos de transformação. Na palestra, o professor fala da relação entre Freud e Hobbes e da teoria dos afetos que está fundamentada nos textos de Freud e Hobbes. Esses estão ligados a sistemas de crenças e fantasias, onde estão associados a vida individual do sujeito.
Freud defende a teoria dos afetos, pois ele acredita nessa perspectiva. Ele privilegia os vínculos de autoridade e de poder, e acredita ainda que as referências políticas  do sujeito estão sempre ligadas ao esquema de poder. O palestrante faz referência em sua fala a Michel Foucault e a teoria do poder disciplinar. Ele cita “não há poder sem incorporação, sem encarnação” (Safatle, 2015), esse sempre está ligado a autoridade, classe, estado, etc. Esse poder só é rompido se houver uma quebra dos afetos que esse poder tem sobre o sujeito, ou seja o desamparo.
Hobbes fala do poder que os homens exercem uns sobre os outros, uma eterna guerra, onde todos buscam um lugar de destaque, mas esses querem um governo, pois assim perdem o medo de lutar uns contra os outros. O governo faz com que o sujeito vença o medo e se sinta seguro, pois a única coisa que faz os homens se respeitarem é o medo, e com isso o esfriamento das paixões políticas. O sujeito busca no Estado a proteção e o amparo, e encontra nele essa segurança por meio do medo, pois este através de sua autoridade de coerção se impõe. Dessa forma, a autoridade mantém o poder e o controle de toda a sociedade.
Safatle (2015) fala que “uma política emancipadora em Freud é quase impossível”. Para Freud, o desamparo é o medo, uma forma de angústia de algo encontrado, o desabamento. Afirma ainda que não há política sem identificação com a ideia simbólica do outro, que desestabiliza qualquer vínculo social com o outro.
Freud herda as seguintes visões de mundo: animista, religioso e cientifico. Em seu pensamento, o mundo hoje ainda é marcado pela visão religiosa, essa aparece de uma forma fantasmática, e está presente na nossa vivencia social.
Na palestra cita Freud, a busca por um líder está fundamentada na sua tese baseada no mito do “pai primevo” texto “totem tabu”. O mito relata o poder do líder mais forte que domina os mais fracos para evitar a promiscuidade, e este é morto pelos filhos para ocupar o seu lugar, mas não conseguem viver em comunhão sem um líder e passam a lutar uns contra os outros.  Então, logo percebem que precisariam colocar regras para viver. Dessa forma, entendem a necessidade do “pai primevo”, ao não conseguirem extinguir a figura do “pai primevo”, ele acabou sendo reforçado pela sua ausência e pela falta de um líder, de uma autoridade. O lugar vazio do “pai primevo” é o lugar da democracia representada pela força de poder fantasmagórico. A figura do “pai primevo” é reproduzida em vários tiranos que povoam o nosso mundo. Safatle (2015) cita “o homem Moises e a religião monoteísta”, que Moisés não era judeu, mas sim um egípcio, um líder estrangeiro que introduziu entre seu povo sua religião. Esse líder leva o seu povo ao erro durante a sua caminhada de movimento. Assim no pensamento de Freud todo assassinato sempre remete ao mito do “pai primevo”, que não é diferente em Moisés.
Recomendo esse vídeo a todos os professores e alunos dos cursos de história  e pedagogia do pólo Castelo- ES, pois conhecer o mito de “pai primevo” relatado por Freud,  a teoria dos afetos e o pensamento de Hobbes é alargar os conhecimento no campo da política e da vivência da democracia. E assim entender o comportamento dos nossos lideres políticos nas esferas municipais, estaduais e federais.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SAFATLE,Vladimir. Freud, Hobbes e o destino do corpo político. IV FÓRUM BRASILEIRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS POLÍTICAS, 2015. Rio de janeiro. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=VZllFKMCHMw>. Acesso em 09.12.2017.


AMOR EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁL...