ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA E PSICANÁLISE
DISCIPLINA: Desejo em
Filosofia e Psicanálise.
Módulo III: Atividade 9: Análise
De um filme “Esse obscuro objeto do desejo”
ALUNO: Jacques Antonio
Contarini Pereira
PÓLO: Castelo – ES
TUTORA: Cynthia A. Gonçalves
ATIVIDADE 9 – Análise de um filme – “Esse obscuro objeto do desejo”
Elaboração
de um pequeno texto sobre o tema abordado no filme procurando perceber
como a arte dispõe, em outros termos, as afirmações dos autores:
-
o desejo é desejo de nada;
-
o desejo não encontra jamais uma satisfação possível na consumação do objeto;
-
desejo com “paixão da perda”;
-
desejar é querer se perder com ser humano.
Boa parte da narrativa do filme
ocorre durante uma viagem de trem, quando o personagem Matheo voltava de
Paris. Matheo um senhor idoso e rico,
nessa viagem relata aos passageiros que estão com ele no mesmo vagão do trem, o
motivo que o levou a jogar um balde de água numa moça de nome Conchita na
estação, logo após o seu embarque
Matheo explica para esses
passageiros que Conchita não presta e por isso agiu daquela forma. Diz que agiu
assim por raiva, uma forma de dar uma punição pelo que a moça o tinha feito
passar. Contou que ao promover um jantar em sua casa para um primo juiz,
Conchita que havia sido contratada para ajudar nos serviços, logo despertou
nele um encantamento, um fascínio que o deixou descontrolado, uma atração
sexual muito forte que o dominava, um desejo sem explicação e sem controle, uma
atração que ele não tinha como dominar.
Assim, ele ao fim do jantar chamou Conchita e disse que não a queria
como empregada e fez um convite bastante ousado, queria passar a noite com ela.
Afinal ele estava viúvo há 7 anos e se
mantinha celibatário. Conchita que faz um personagem muito misterioso aceitou.
É claro movida por interesses, pois ela percebeu que ali encontraria conforto,
dinheiro e vida boa, tudo que ela buscava. Entendeu que Matheo idoso e rico
tinha ficado enfeitiçado por ela. Com tudo isso seria fácil enganá-lo e
mantê-lo preso a um desejo que ela não deixa que ele o realize, pois sempre ela
arranja uma forma de adiar. Conchita sabe que o desejo de Matheo não se
realizará naquele momento, pois caso ela
venha a ceder aos desejos incontroláveis de Matheo, perderá o poder de domínio
que exerce sobre ele. No filme cria-se muito mistério, pois não só Matheo, mas
outros personagens que passam pelo filme carregam uns estranhos sacos, que não
se sabe o que tem dentro, que obscuro objeto esses personagens escondem dentro
daqueles sacos. O que o produtor do filme quis mostrar com isso? Seriam os
desejos que cada um carrega na vida e não realiza?
Outras cenas inusitadas ocorrem
ao longo do filme como; assaltos e atentados com explosões de carros. Essas cenas
ocorrem paralelamente enquanto o encontro entre Matheo e Conchita não acontece
e a luta por tê-la continua. Chega até oferecer dinheiro para a mãe de
Conchita, com o objetivo de comprá-la e fazer uma aliada. A cena é mesclada com
um rato sendo preso numa ratoeira, que leva-nos a pensar que um está tentando
prender o outro.
O filme tenta mostrar o que uma
pessoa faz para ter o seu desejo saciado, mas o que leva a pessoa a desejar?
Seria a falta, a ausência? Parece que sim, só desejamos o que não temos, quando
conseguimos o objeto desejado, sentimo-nos satisfeitos e assim o desejo acaba.
Por isso Conchita não cedia aos apelos sexuais de Matheo, pois sabia que o
desejo sexual existia por causa da falta, se o objeto do desejo fosse
conquistado, o desejo desapareceria. Matheo se desespera por não conseguir
consumar o seu desejo, pois o objeto do seu desejo é inacessível. O que o faz o
desejo aumentar mais ainda, chegando quase a enlouquecer, o que para nós é a
constatação do estado de desamparo, isto é, Matheo fica inteiramente dependente
de Conchita, o que gera angustia por não realização do desejo.
Por outro lado Conchita também
tem o interesse em ser desejada por matheo, ela quer ser objeto de seu desejo,
porém ela sabe que o desejo de Matheo não se realizará, pois para ela a não
realização do desejo significa liberdade e o domínio sobre ele. Além de que se ceder aos seus apelos se
tornará um objeto, uma coisa.
Observa-se ainda que nada
impediria que Matheo viesse a se casar
com Conchita, mas ele não queira, pois com o casamento ela passaria a ter tudo,
e ele não teria mais o controle e a posse. Nessa situação vive-se uma disputa,
ela lhe nega o sexo e ele o casamento. Ambos presos nesse obscuro objeto do
desejo um do outro.
O filme deixa um suspense em relação
ao desejo e o querer humano. Os atentados e a destruições mostram o que um
desejo arrebatador poder fazer com uma pessoa, isto é, pode até levá-la a
morte, ou a destruição do outro. Por outro lado, a camisola ensangüentada que
foi retirada do saco e levada para ser costurada e reparada, abre-se duas
linhas de pensamento; a primeira, enfim o desejo de Matheo teria sido consumado
e ele queria eternizar o momento consertando o símbolo da consumação para
guardá-lo. A segunda hipótese seria pensar que o desejo não realizado é como
uma explosão mata e não tem reparação.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
SOUZA, Thana Mara de, O desejo nos pensamentos de Sartre e Lacan [ recursos eletrônicos] / Thana Mara de Souza, Cláudia Murta. - Dados eletrônicos. - Vitória: UFES, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
SOUZA, Thana Mara de, O desejo nos pensamentos de Sartre e Lacan [ recursos eletrônicos] / Thana Mara de Souza, Cláudia Murta. - Dados eletrônicos. - Vitória: UFES, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.
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